06 julho 2022

Qualidade da Água para Consumo Humano: Normas de Referência, Categorias de Risco e Dispositivos de Proteção

Numa altura em que se dá especial atenção à eliminação do plástico e se promove as garrafas reutilizáveis de forma a tirar o máximo proveito da água da torneira, torna-se crucial garantir a qualidade da água distribuida e proteger a pureza deste recurso tão precioso e, cada vez mais, escasso.

Referência atual para avaliação do risco: EN 1717

Relativamente aos aspetos de qualidade e segurança da água distribuída, é essencial ter referências claras das leis e normas aplicáveis. Portanto, com a adição de novos documentos ou a substituição dos existentes, fornecemos abaixo uma lista dos mais importantes e analisamos detalhadamente as normas que se aplicam à prevenção antirrefluxo.

Normas de referência sobre a qualidade da água

DIRETIVA 98/83/CE DO CONSELHO (revogada a partir de jan. 2023) “sobre a qualidade da água destinada ao consumo humano”.

DIRETIVA (UE) 2020/2184 DO PARLAMENTO EUROPEU E DO CONSELHO de 16 de dezembro de 2020 “sobre a qualidade da água destinada ao consumo humano”. A nova diretiva abrange uma série de áreas que a diretiva anterior não considerava suficientemente para garantir a segurança necessária. Em particular, deve ser efetuada uma avaliação completa do risco de poluição ao longo de todo o ciclo de abastecimento e distribuição de água. Além disso, os materiais utilizados devem estar em conformida aode com as leis para o contacto com água para consumo humano. Só devem ser utilizados materiais incluídos em listas positivas e produtos certificados nesse âmbito.

Normas de referência para a prevenção antirrefluxo

EN 1717:2000 “Proteção contra a contaminação de água potável nas instalações hidráulicas e requisitos gerais dos dispositivos aptos a prevenir a contaminação por refluxo.” É o ponto de referência em matéria de prevenção da poluição da rede hídrica causada pelo refluxo de fluido proveniente das instalações a jusante. A norma está atualmente a ser revista para detalhar as condições reais de funcionamento das instalações e os respetivos dispositivos de proteção antirrefluxo. 

EN 806:2012 “Especificações relativas às instalações no interior de edifícios para fornecimento de água destinada ao consumo humano.” É a série de normas que indica os requisitos para a fase de projeto, o funcionamento e a manutenção. Ambas as referências europeias devem ser verificadas em conformidade com as normas e regulamentos nacionais aplicáveis. As instalações devem ser projetadas e mantidas de forma a não causar contaminação da água da rede pública ou da rede interna, devido a refluxo de qualquer tipo de substância considerada perigosa.

Categorias de Risco

A fim de avaliar a gravidade de uma eventual poluição das redes, a norma EN 1717 classifica as águas contidas nas instalações em função do grau de risco para a saúde humana, subdividindo-as em cinco categorias, de 1 (correspondente à água para consumo humano) até 5 (a mais perigosa).

Com base nesta classificação, devem ser colocados dispositivos antirrefluxo adequados nos circuitos de distribuição da água. A norma EN 1717 descreve o princípio de funcionamento e os requisitos mínimos dos dispositivos aptos para proteger a rede de água destinada ao consumo humano contra o refluxo de água pertencente a uma das quatro categorias superiores.

Fenómeno do Refluxo

O Fenómeno do Refluxo é denominado “inversão da direção do fluxo” e já introduzido no capítulo “Poluição das redes”, como destacado na norma EN 1717 ocorre, em suma, quando:

  • A pressão na rede pública é inferior à pressão existente no circuito derivado (sifonagem inversa). Isto pode acontecer, por exemplo, devido a uma rutura da tubagem de água e consequente manutenção, ou devido a levantamentos substanciais por outros pontos de utilização, como, por exemplo, sistemas anti-incêndio ligados a montante.
  • No circuito derivado existe um aumento de pressão (contrapressão) devido, por exemplo, à entrada de água bombeada de um poço.

Avaliação do Risco

Identificada a perigosidade do fenómeno, e verificadas as disposições ditadas pela norma existente, deve ser realizada uma avaliação do risco de poluição por refluxo, de acordo com o tipo de instalação e as características do fluido. Com base no resultado dessa avaliação, realizada pelo projetista e pela entidade fornecedora dos serviços hídricos, dever-se-á escolher o dispositivo de proteção mais adequado, que deve ser colocado ao longo da rede de distribuição, nos pontos de risco de refluxo nocivo para a saúde humana. Além da consulta da norma europeia EN 1717, é sempre necessário avaliar o parecer da entidade fornecedora dos serviços hídricos e as normas nacionais específicas que, com base no tipo de instalação, poderão ser mais ou menos restritivas do que a norma europeia. No caso da presença de fluidos de diferentes graus de perigosidade, deve considerar-se a proteção contra o refluxo do fluido mais perigoso. No caso de fluidos com grau de perigosidade excecional, é necessário considerar parâmetros técnicos adicionais.

Unidades de Proteção

Os dispositivos de proteção são agrupados em oito Famílias identificadas pelas letras A, B, C, D, E, G, H, L, cada uma das quais poderá ter uma ou mais variantes designadas por Tipos, também estes identificados pelas letras A, B, C ou D.

A norma EN 1717 especifica para cada tipo de dispositivo a categoria mínima e máxima de fluido, e as condições sob as quais cada tipo pode ser aplicado para proteção contra o refluxo na instalação. A sequência de equipamentos, formada pelo dispositivo de proteção, filtros, válvulas de interceção, tomadas de pressão e reservatórios de compensação, que constituem a proteção antirrefluxo é definida como Unidade de Proteção. O ponto da instalação onde a Unidade de Proteção é aplicada é definido como Ponto de Proteção.

O símbolo genérico, com o qual a norma EN 1717 identifica a Unidade de Proteção, é constituído por um hexágono que contém as letras que indicam a Família e o Tipo de proteção. Na figura 24, são apresentados alguns exemplos de Unidade de Proteção com a respetiva sequência de dispositivos requeridos pela norma EN 1717.

As figuras 25a e 25b reúnem todas as unidades de proteção, os respetivos símbolos gráficos e princípios de projeto.

Campo de Aplicação 

As indicações contidas na norma EN 1717 podem ser aplicadas a todas as instalações domésticas, industriais/ comerciais e não domésticas ligadas à rede pública de água potável:

  • Instalações domésticas em edifícios residenciais ou semelhantes como habitações, hotéis, escolas, escritórios, dormitórios, etc.: lava-loiças, lavatórios, banheiras, chuveiros, sanitas, produção de água quente sanitária, máquinas de lavar roupa e loiça domésticas, bidés, sistemas de rega de jardim, instalações com baixas concentrações de aditivos não perigosos para a saúde humana como tratamento de águas, climatização, etc.;
  • Nas instalações industriais e comerciais consideram-se as aplicações de água potável com uso semelhante ao doméstico, excluindo, portanto, águas de processo, bem como de anti-incêndio e de instalações centralizadas de aquecimento ou de rega;
  • Instalações de uso não doméstico para utilização profissional da água, como por exemplo, indústrias, comércio, agricultura, clínicas, piscinas, termas e spas.

Normas de Produto

A norma EN 1717 é a principal referência para a elaboração das respetivas normas de produto, ou é usada diretamente em caso de ausência de normas específicas de produto.

Características dos Dispositivos de Proteção

As fichas seguintes destinam-se a fornecer informações mais aprofundadas sobre as diferentes unidades de proteção. Cada ficha refere-se a uma família e tipo de unidade de proteção específicos e contém, para além das respetivas normas de produto e categoria de fluido, uma descrição do funcionamento, procedimento de instalação e métodos de controlo e verificação, se existentes.

Válvula de Retenção. Tipo EB. Não controlável - 3047

Válvula de retenção antipoluição com interceção incorporada - 324

Válvula de retenção.Tipo EA. Controlável - 3046

Desconector de Zona de Pressões não controláveis - 573

Desconector de zona de pressão reduzida controlável. Tipo BA - 574

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Desconector com Geometria Multifuncional

Para aplicações em linha e especiais Modelo BA, proteção até à categoria 4 Cartucho monobloco Compacto Versátil (instalação horizontal ou vertical) Funil de descarga orientável Filtros e retenções inspecionáveis. 

O desconector série 580 pode ser utilizado em múltiplas aplicações graças à variedade de ligações existentes num único produto. O cartucho monobloco inclui num só componente a membrana, a válvula de retenção a montante, a válvula de descarga e todo o sistema de acionamento. O filtro a montante, requerido pela unidade de proteção em conformidade com a norma EN 1717, coloca-se na ligação a montante do corpo da válvula, sendo facilmente acessível para manutenção.

A válvula de retenção a jusante está posicionada antes da ligação de saída e é mantida no seu local por uma virola. As eventuais operações de desmontagem e manutenção são simples, pois utilizam-se componentes de fácil verificação e substituição, sem necessidade de desmontar o corpo da válvula da tubagem.

A versão para aplicações especiais é utilizada para a ligação a torneiras em stands, feiras, eventos, estaleiros de construção, e está equipada com ligador a tubo de borracha para ligação a tubos flexíveis. A versão para instalação em linha (em tubo horizontal ou vertical) é facilmente convertível numa versão para aplicações especiais, e vice-versa, graças à compacidade e versatilidade do corpo.

Ficha técnica do Produto

Matriz de Proteção

A “Matriz de Proteção” relaciona os vários tipos de dispositivos com as respetivas categorias de fluido. Na Tabela 1 são listadas todas as Unidades de Proteção da norma EN 1717, as respetivas categorias de fluido e as normas de produto.

No ambiente doméstico, existem algumas situações que podem ter um menor impacto do que as redes industriais ou comerciais. Por esta razão, o refluxo de alguns fluidos da categoria 5, tais como os presentes em lavatórios e banheiras (mas não em bidés e sanitas), é considerado de menor impacto e, portanto, associado a uma unidade de proteção adequada a uma categoria inferior. Essencialmente, considera-se que, estatisticamente, o nível e a perigosidade dos poluentes que se podem desenvolver num ambiente doméstico é significativamente mais baixo do que em atividades comerciais ou industriais ou de alojamento. As normas europeias também têm esta situação em consideração, propondo correções adequadas à Matriz de Proteção, como na Tabela 2.

Representação gráfica da Matriz de Proteção

Considerações: Certificações de Produto

Os dispositivos de proteção antirrefluxo devem garantir a segurança da rede e, por conseguinte, devem cumprir as normas de produto correspondentes. Esta conformidade pode ser obtida através da certificação por parte de um Organismo Notificado, que verifica por meio de procedimentos definidos, tanto o desempenho rigoroso de acordo com as normas, como a produção no fabricante. No final de todo o processo de certificação, o dispositivo é certificado com a marca do organismo e é autorizada a sua colocação no mercado.

Seguidamente, o organismo efetua controlos regulares tanto ao nível da produção, como da recolha de produtos do mercado. Não devem ser instalados produtos — mesmo uma simples válvula de retenção — que não possuam a certificação correspondente. Em Itália, as certificações emitidas por organismos não italianos são aceites com base nas normas europeias.

Os materiais e equipamentos utilizados nas instalações sanitárias devem estar em conformidade com as leis relativas ao contacto com a água destinada ao consumo humano, e devem ser incluídos em listas positivas e de produtos certificados nessa matéria. Devem também ser adequados para o contacto com produtos químicos utilizados para desinfeção das redes. Assim, não devem sofrer danos ou libertar substâncias perigosas, tais como chumbo e zinco, no caso de tratamento com produtos químicos ou em contacto com água corrosiva. Para resolver estes problemas, existe uma tendência crescente para a utilização de novos materiais (LOW LEAD CR).

Grupo Compacto de Enchimento 

Máxima compacidade Flexibilidade de instalação: horizontal ou vertical Cartucho de desconexão pré-montado monobloco Unidade de proteção completa, específica para a aplicação Funil de descarga orientável Inclui isolamento Inclui manómetro Manutenção mais fácil.

Os grupos de enchimento são uma excelente solução, pois são muito compactos e englobam várias funções. Podem ser instalados na horizontal ou vertical, graças ao funil orientável. Instalado na tubagem de abastecimento da água nas instalações de aquecimento com circuito fechado, mantém estável a pressão da instalação, no valor programado, efetuando automaticamente a reintegração da água em falta. O desconector impede que a água contaminada do circuito fechado de aquecimento volte a entrar na rede de alimentação de água sanitária, em conformidade com as prescrições da norma EN 1717.

O grupo de enchimento compacto inclui um cartucho pré-montado de desconexão, o que facilita a manutenção através da substituição de um único componente em vez de vários. As válvulas de interceção e as três tomadas de pressão (em conformidade com a norma EN 12729) permitem a verificação funcional periódica do desconector, segundo a norma EN 806-5.

O grupo de enchimento automático é fabricado com componentes extraíveis, tais como tampa, membrana, sede, obturador e pistão de compensação, para facilitar as operações de inspeção e manutenção. Os componentes internos do grupo são fabricados em material plástico com baixo coeficiente de aderência. Esta solução minimiza a possibilidade de formação de depósitos calcários, causa principal do eventual mau funcionamento das válvulas. O fluido contido no interior dos circuitos fechados com aditivos é classificado na categoria 4.

Por este motivo, para evitar o refluxo de água da instalação de aquecimento, contaminada e perigosa para a saúde humana, é indispensável instalar um grupo de enchimento pré-montado com desconector, antes do grupo de tratamento de água.

 

Last modified: 
19 julho 2022
Hidrossanitário
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