09 novembro 2022

Legionella: a contaminação da água é realmente um risco para a minha instalação doméstica?

Legionella em casa: a situação real

Em primeiro lugar, sim, a bactéria da Legionella está presente na água, naquela que encontramos nas instalações domésticas, bem como na que normalmente nos rodeia e na qual não pensamos sequer como lagos, fontes, etc.. Estamos praticamente todos em possível contacto com esta bactéria a qualquer hora do dia.

Sem medo! Diz o sábio: “Se conheceres o inimigo e a ti próprio, a vitória é certa”. 

Conheçamos então esta célebre bactéria.

Como se contrai a infeção por Legionella?

O contágio por Legionella ocorre por inalação, ou seja, é necessário respirar água nebulizada em que esteja contida a Legionella. Isto significa que o risco de contrair esta doença passeando junto ao lago é verdadeiramente mínimo, ou mesmo inexistente.

Outra coisa importante a saber é que esta bactéria consegue sobreviver, mas está inativa em água abaixo dos 25 ºC de temperatura, prolifera e torna-se perigosa com valores compreendidos entre 25 ºC e 45 ºC, e morre com temperaturas superiores a 50 ºC. Entre os fatores-chave para a proliferação da Legionella, encontramos também a estagnação da água e a formação de microfilmes no interior das tubagens, que constituem um ambiente favorável ao desenvolvimento da bactéria, garantindo as suas condições de vida ideais. Na prática, a nossa atenção deve concentrar-se em todos aqueles dispositivos capazes de manter a água a uma temperatura entre os 25 ºC e os 45 ºC e que consigam depois de alguma forma nebulizá-la.

As diretrizes italianas de 07/05/2015 fornecem indicações precisas sobre como prevenir a proliferação e, assim, minimizar a perigosidade da Legionella, especificando claramente que a “prevenção das infeções por Legionella baseia-se essencialmente numa correta fase de projeto e realização das instalações tecnológicas que envolvem um aquecimento da água”.

Parafraseando esta citação, desde que a água esteja em condições naturais, não corremos qualquer risco, já que normalmente está abaixo dos 25 ºC, não é nebulizada e por isso não a respiramos, e está em movimento contínuo, portanto numa situação em que a bactéria não consegue proliferar.

Os problemas começam a surgir quando a aquecemos, por exemplo, nas instalações de produção de água quente sanitária, nas torres de evaporação, ou nas fontes (pequenas quantidades de água aquecida pelo sol). Percebemos, então, que a Legionella nem sempre representa um perigo, mas que se torna um apenas em determinadas situações que podem ser evitadas, adotando precauções simples na realização das instalações. Tomemos, assim, em consideração o que está próximo de nós todos os dias e uma possível fonte de contágio: a instalação de distribuição sanitária.

6 elementos-chave para prevenir a Legionella nas instalações domésticas

A correta implementação destes sistemas envolve alguns fatores-chave, nomeadamente:

  1. O isolamento e o posicionamento corretos das tubagens, de modo a que não se influenciem termicamente entre si;

  2. A escolha de temperaturas adequadas para evitar a proliferação da bactéria;

  3. A escolha de materiais adequados para a rede de distribuição;

  4. A criação de redes lineares, sem segmentos mortos onde possa existir estagnação;

  5. A adoção de sistemas de desinfeção adequados;

  6. O balanceamento correto da rede sanitária, de modo a garantir a desinfeção em todos os pontos da instalação.

Água sanitária: onde podem existir os problemas de Legionella e como resolvê-los

As instalações com produção instantânea de AQS, aquelas com a clássica caldeira mural estão menos sujeitas à presença de Legionella, porque a água quente é produzida apenas sob necessidade, sem dar a possibilidade à bactéria de proliferar, desde que as tubagens estejam corretamente isoladas e não sofram influências térmicas de outras fontes. A situação das instalações com produção por acumulação é diferente. Neste caso, de facto, a água é preparada à temperatura de utilização dentro de uma acumulação central, criando assim o ambiente ideal para a proliferação.

Como resolver este problema?

O ponto de partida é certamente a temperatura de armazenamento que deverá ser superior a 60 °C, de forma a eliminar a bactéria já na sua origem, considerando uma válvula misturadora que previna possíveis queimaduras nos utilizadores, baixando a temperatura de distribuição (a água que sai da torneira, resumidamente).

O segundo ponto fundamental é a adoção de um sistema de desinfecção da rede de distribuição, escolhendo entre:

  1. Tratamento químico periódico da água
  2. Choque térmico
  3. Desinfeção térmica

Os sistemas de tratamento mais comuns são os tratamentos térmicos, pois são  mais simples de adotar e menos invasivos dentro das instalações de água destinada ao consumo humano.

Soluções de desinfeção contra a Legionella com misturadoras eletrónicas

  • Soluções de desinfeção contra a Legionella com misturadoras eletrónicas

As misturadoras eletrónicas, como a LEGIOMIX®, ou as eletrónicas híbridas, como a LEGIOMIX® 2.0, são dispositivos capazes de gerir quer a fase de normal funcionamento quer a fase de desinfeção programada, alterando o set point de trabalho e acionando a bomba de recirculação para levar água à temperatura de desinfeção a toda a rede. Conforme referido no ponto anterior, torna-se essencial a realização de uma rede de recirculação que permita que a água permaneça em movimento e que chegue a todas as partes da instalação durante a fase de desinfeção.

  • Soluções de desinfeção para redes hídricas extensas 

Nas redes extensas, é importante assegurar o balanceamento correto da recirculação, de forma a garantir uma correta circulação em toda a parte, evitando criar condições de proliferação da Legionella. Para que isto ocorra, foram projetados reguladores termostáticos multifunções série 116 capazes de gerir o caudal que os atravessa, graças a um sensor termostático que reduz a passagem à medida que se aproxima da temperatura programada.

FAÇA DOWNLOAD DA HIDRÁULICA Nº 35  DEDICADA À DESINFEÇÃO TÉRMICALight link button

 

Last modified: 
10 novembro 2022
Hidrossanitário
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